O que marcou os discursos de Lula na ONU em seu 3º mandato
<p>Presidente foca na defesa da soberania, a 12 dias de eleição. De tarifaço em solidariedade a Bolsonaro a classificação de facções como terroristas, EUA tomaram uma série de ações visando o Brasil</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/09/55544500568_c17e3851d2_o-scaled.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Lula discursa na Assembleia-Geral da ONU em 2026 </media:title> </media:content> <p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Assembleia-Geral da ONU com uma fala que teve foco na defesa da soberania do Brasil. O discurso aconteceu a 12 dias do primeiro turno da eleição brasileira, que opõe o petista a Flávio Bolsonaro (PL), aliado do governo de Donald Trump. </p> <p>A fala, que tratou de temas clássicos da diplomacia brasileira e de assuntos de interesse ao público doméstico, foi a quarta e última do terceiro mandato de Lula. </p> <p>Neste texto, o Nexo mostra como foi o discurso de 2026 e relembra como foram os demais desde que Lula retornou ao Planalto.</p> O discurso em 2026 <p>Lula começou sua fala em 2026 dirigindo-se ao secretário-geral da ONU, António Guterres, dando o tom do que viria depois. “Ao longo de seus dois mandatos, foi testemunha dos crescentes desmandos das superpotências”, disse. </p> <p>No primeiro bloco do discurso, o presidente brasileiro retomou pautas tradicionais da sua política externa, como a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a defesa do Sul Global. Neste último aspecto, elogiou medidas recentes das Nações Unidas como o reconhecimento do tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade da história e a mudança do mapa-múndi.</p> <p>Ao criticar as guerras em curso no planeta, saudou os líderes Yasser Arafat, palestino, e Ytzhak Rabin, israelense, como democratas que tiveram seus planos de paz no Oriente Médio nos anos 1990 derrotados pela ação de extremistas. Lula já preparava terreno para o que seria o aspecto central de seu discurso. “Somos chamados a optar pelo multilateralismo ou unilateralismo; democracia ou extremismo; soberania ou subordinação”, afirmou. </p> <p>“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse o presidente, afirmando que a democracia voltou a estar em xeque. “Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos.”</p> <p>“O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado”, afirmou Lula, numa referência a documentos recentemente divulgados do governo de Donald Trump que dizem que o país fracassou nessa seara. Os EUA classificaram facções criminosas brasileiras como terroristas em junho, aumentando a possibilidade de interferência americana no país. Contestada pelo governo Lula, a medida é defendida por outros candidatos à Presidência, como Flávio Bolsonaro (PL). </p> <p>“Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”, disse o presidente brasileiro. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas.”</p> <p>Lula falou ainda de outros temas nos quais o Brasil é visto como uma liderança internacional, como a agenda ambiental e o combate multilateral à desigualdade. Também citou o papa Leão 14 ao dizer que acompanha com preocupação a evolução da IA no mundo – aqui, abriu um aparte ao público interno, afirmando que vai impor limites às bets. “O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, declarou o presidente, que pode nos próximos dias lançar uma medida provisória sobre o assunto. </p> <p>A alusão direta ao pleito veio na parte final do discurso. </p> <p>“Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”</p> <p>Luiz Inácio Lula da Silva</p> <p>presidente da República, em discurso na Assembleia-Geral da ONU em 2026</p> <p>Os discursos anteriores de Lula</p> <p>A defesa da democracia em 2023</p> <p>No retorno ao púlpito da ONU, Lula defendeu bandeiras dos seus dois primeiros mandatos, como a reforma da ONU, o combate à fome e à desigualdade e a questão ambiental. Empossado após a tentativa de golpe de seu antecessor, Jair Bolsonaro, disse que “a democracia garantiu a superação do ódio, da desinformação e da opressão”</p> <p> </p> <p>A questão ambiental em 2024</p> <p>A um ano da COP no Brasil, que aconteceria em 2025, Lula criticou o negacionismo climático e defendeu ações de seu governo na redução do desmatamento e combate ao garimpo. O presidente brasileiro enfrentava questionamentos sobre sua liderança climática diante da intenção de explorar petróleo na Foz do Amazonas</p> <p> </p> <p>A ‘química’ com Trump em 2025</p> <p>A Assembleia-Geral da ONU aconteceu dias depois de Bolsonaro ter sido condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. O processo contra o ex-presidente foi pivô de um tarifaço dos EUA contra o Brasil, e Lula fez um discurso contra o unilateralismo. Surpreendentemente, Donald Trump usou parte do seu discurso para elogiar o brasileiro</p>
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| Candidato | Sentimento |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro | neutro |
| Lula | neutro |