O que os candidatos prometem para as mulheres
<p>O ‘Nexo’ elencou as principais propostas registradas nos planos de governo dos presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto. Combate à violência de gênero é prioridade comum </p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/05/mcm_5729_0-1536x1024-1.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Protesto contra feminicídio e violência contra mulheres </media:title> <media:credit> Marcelo Camargo / Agência Brasil/7.12.2025 </media:credit> </media:content> <p>As mulheres brasileiras são decisivas para as eleições de 2026. Elas representam a maior parte do eleitorado e são as que mais comparecem no dia da eleição para votar. </p> <p>52,4%</p> <p>do total de eleitores do Brasil são mulheres, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). São 81,8 milhões de eleitoras</p> <p>As eleitoras chegam ao pleito diante de um cenário desolador de violência, marcado pelo aumento dos casos de feminicídios e vicaricídios, além de seguirem sub-representadas nos espaços de poder. As duplas presidenciais mais competitivas da campanha, por exemplo, não têm nenhuma candidata encabeçando a chapa. </p> <p>Neste texto, que integra uma série de conteúdos sobre planos de quem pretende governar o Brasil, o Nexo elenca e analisa as principais propostas para as mulheres dos seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenções de voto. </p> Lula: medidas transversais <p>Luiz Inácio Lula da Silva (PT) coloca como prioridade em seu plano de governo o enfrentamento à violência contra as mulheres. O Pacto Nacional contra o Feminicídio, lançado em fevereiro de 2026 pelo Executivo em conjunto com o Legislativo e Judiciário para frear o problema, é o guia central das propostas. </p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/09/Lula-Pacto-Feminicidio-600x398.jpeg" type="image/jpeg" medium="image"> <media:title> Lula e representantes dos Três Poderes na assinatura do Pacto Nacional Contra o Feminicídio </media:title> <media:credit> Ricardo Stuckert / PR 20.05.2026 </media:credit> </media:content> <p>O plano de governo também faz referências a direitos reprodutivos, dignidade menstrual, desigualdade salarial, autonomia econômica, cuidado e proteção social das mulheres. O texto sugere o uso de marcadores transversais no Orçamento e Plano Plurianual de 2024 a 2027 para acompanhar os recursos direcionados a essas políticas.</p> <p>As cinco principais propostas de Lula são: </p> manter ações para promoção do trabalho de mulheres a partir da Lei da Igualdade Salarial, aprovada em 2023 criar cuidotecas para crianças entre 3 e 12 anos, além de expandir creches no âmbito do Pacto Nacional contra o Feminicídio, concluir a construção de 30 Casas de Mulher Brasileira e ampliar as salas lilás (espaços de acolhimento em órgãos públicos para atender mulheres e meninas em situação de violência) fortalecer o planejamento reprodutivo e o acesso a métodos contraceptivos modernos no SUS (Sistema Único de Saúde), com ênfase na distribuição do Implanon criar oportunidades econômicas para mulheres, como linhas de crédito especial para agricultoras, fomento ao empreendedorismo e qualificação para participação na ciência e pesquisa <p>Para Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update, as propostas são concretas e tratam de diferentes dimensões da vida das mulheres. </p> <p>“Lula coloca a mulher como sujeito de direitos. Tem uma lógica muito centrada na capacidade do Estado de produzir proteção e reduzir as desigualdades”</p> <p>Carol Althaller</p> <p>diretora executiva do Instituto Update, em entrevista ao Nexo</p> <p>Por outro lado, faltam ações que tratem da participação feminina na política. “Há várias políticas para mulheres, mas menos sobre mulheres participando dos espaços onde as decisões políticas são tomadas”, disse. </p> <p>Já para Larissa Peixoto Vale Gomes, doutora em ciência política e pesquisadora na Universidade de Edimburgo (Escócia), o plano propõe a continuidade de ações realizadas no terceiro mandato de Lula e em governos anteriores do PT. </p> <p>A proposta das cuidotecas — espaços públicos para liberar o tempo diário das mulheres responsáveis pelos cuidados com os filhos — é uma novidade “interessante e possível”, segundo ela.</p> <p>Ela lembrou que o atual prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, promoveu uma iniciativa semelhante ao conceder cuidados gratuitos por quatro horas para crianças em centros recreativos, permitindo aos pais descansarem, passearem e resolverem pendências. </p> Flávio: tecnologia contra a violência <p>O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) tem um capítulo específico sobre as mulheres, intitulado “Brasil por elas”. O texto combina ações que envolvem proteção, família, segurança, independência financeira, crédito e empreendedorismo.</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/06/FlavioBolsonaro-10062026_-600x400.jpg" type="image/jpeg" medium="image"> <media:title> Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no plenário do Senado </media:title> <media:credit> Carlos Moura / Agência Senado 10.06.2026 </media:credit> </media:content> <p>As cinco principais propostas do candidato são: </p> criar as Centrais da Mulher, espaços físicos comunitários que reúnem serviços como atendimento para saúde preventiva, apoio psicológico e jurídico, orientação financeira e cadastro para vagas de emprego e crédito lançar a ClarIA, um aplicativo e assistente virtual de inteligência artificial com acesso a serviços estatais e orientações como acompanhamento de medidas protetivas e agendamento de exames integrar o Ligue 180, delegacias online e botões de emergência numa plataforma com sistema de avaliação de risco para priorizar casos graves de violência contra as mulheres expandir a oferta de creches públicas em tempo integral e distribuir voucher-creche para acesso à rede privada credenciada caso não haja vaga pública disponível criar a Escola Brasil por Elas, com cursos gratuitos de inteligência artificial, programação, marketing digital e finanças, conectada a um banco de dados de vagas <p>Para Larrisa Peixoto Vale Gomes, a proposta da “amiga virtual” — como o plano de governo chama a ClarIA — é uma medida risível.</p> <p>“É como se a inteligência artificial fosse a solução dos problemas. A mulher não precisa de uma amiga virtual. Precisa de creche universal, legalização do aborto, contraceptivo, transporte público, segurança”</p> <p>Larissa Peixoto Vale Gomes</p> <p>doutora em ciência política e pesquisadora na Universidade de Edimburgo (Escócia), em entrevista ao Nexo</p> <p>Já Carol Althaller avalia o plano de Flávio como uma combinação de propostas sobre empreendedorismo e independência financeira com medidas voltadas à proteção e à família. </p> <p>“A mulher aparece como alguém que deve ser protegida da violência e tem que conquistar autonomia econômica com capacidade individual. Reunir serviços dispersos [na Central da Mulher] é um ponto positivo , mas faltou detalhar qual será a escala disso e como a integração será feita”, disse.</p> Augusto Cury: botão de alerta e ‘tirania da beleza’ <p>O plano de governo de Augusto Cury (Avante) elenca as medidas voltadas às mulheres num capítulo específico, intitulado “Mulheres vivas”. O texto afirma que o Brasil “precisa transformar a proteção, a valorização e a promoção da dignidade das mulheres em uma política permanente de Estado, capaz de ultrapassar governos, partidos e ciclos eleitorais”. </p> <p></p> <p>As medidas do candidato, que teve um crescimento recente nas pesquisas de intenção de voto, incluem desde o uso de tecnologia para prevenção do feminicídio, como um botão de alerta com geolocalização, até o “combate à tirania da beleza” por meio de ações educativas. </p> <p>As cinco principais propostas de Augusto Cury são: </p> usar botões de alerta com geolocalização em casos de violência contra as mulheres (em entrevista ao Jornal Nacional, o candidato citou o uso de drones com alerta sonoro, que seriam enviados antes de a polícia chegar) promover autonomia econômica para romper o ciclo da violência, com qualificação e empregabilidade por meio de acesso a programas de requalificação profissional, empreendedorismo, educação financeira, microcrédito e linhas de financiamento fortalecer mecanismos de transparência salarial, promovendo a igualdade salarial nas empresas priorizar mulheres nas indicações de vagas ao Supremo Tribunal Federal combater a “tirania da beleza e o assassinato da autoestima” feminina por meio de campanhas e ações educativas nas escolas <p>Para Althaller, o plano de Cury é forte em questões como violência, autonomia econômica e saúde emocional — tema que se conecta ao histórico do candidato como autor de livros de autoajuda —, mas gera questionamentos sobre implementação e viabilidade. </p> <p>“Minha crítica é em relação a essa distância entre ideias tecnológicas e implementação. Isso tudo precisa de integração e capacidade estatal para funcionar. A proposta da tirania da beleza é diferente e dialoga com o cotidiano das mulheres, mas não se sabe se há desenho para que virem política pública”, afirmou. </p> <p>“Augusto Cury traz muitas propostas, mas não diz como são viáveis, e cita medidas que são basicamente fortalecer o que já existe. Sobre ações educativas para combater o que ele chama de ‘tirania da beleza’: realmente, é essa a prioridade?”</p> <p>Larissa Peixoto Vale Gomes</p> <p>doutora em ciência política e pesquisadora na Universidade de Edimburgo (Escócia), em entrevista ao Nexo</p> Ronaldo Caiado: renda temporária e participação política <p>O plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD) traz propostas de políticas para as mulheres articuladas em quatro eixos: viver sem violência, cuidar da saúde, trabalhar e empreender e participar das decisões do poder. As medidas estão listadas num capítulo específico.</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/03/mca_abr_2906220801-600x450.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Ronaldo Caiado em entrevista no Palácio do Planalto em 2022 </media:title> <media:credit> José Cruz / Agência Brasil </media:credit> </media:content> <p>As cinco principais propostas do candidato são: </p> combater o feminicídio, com ações como renda temporária para vítimas sob medida protetiva, auxílio-aluguel, educação para relações sem violência e reparação patrimonial conceder bolsas e formação para mulheres se inserirem nas áreas de tecnologia, ciência, agronegócio e indústria combater a violência política de gênero, garantindo sua investigação, fortalecendo a formação de candidatas e frisando que partidos políticos deverão cumprir regras de financiamento, sem candidaturas fictícias cuidar da saúde ao longo da vida, abrangendo pré-natal, parto, puerpério, saúde mental, prevenção do câncer de mama e colo do útero, endometriose, climatério e menopausa aplicar a Lei da Igualdade Salarial, com a criação de um selo para reconhecer organizações que promovam a equidade e a contratação de mulheres, sobretudo de mulheres periféricas, mães atípicas e com mais de 50 anos <p>Segundo Althaller, o plano de Caiado é bem estruturado, com propostas concretas no tema da violência — relacionando a proteção física com a autonomia econômica — e abrangentes na área da saúde, ao tratar de planejamento reprodutivo, menopausa e redução de mortalidade materna. </p> <p>Para ela, o principal diferencial do documento é ampliar a visão sobre as mulheres para além do lugar de vítimas ou de mães e cuidadoras. </p> <p>“O plano coloca as mulheres como sujeitos políticos. Trata da participação política e fala especificamente no combate à violência de gênero na política. Saber viabilidade, orçamento e escala é algo que falta”, afirmou. </p> Renan Santos: ausência completa <p>O plano de Renan Santos (Missão) não traz propostas específicas para as mulheres.</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/09/RenanSAntos-abr-600x359.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Cofundador do MBL, Renan Santos (Missão) é candidato à Presidência </media:title> <media:credit> Divulgação / @Renansantosmbl/Agência Brasil </media:credit> </media:content> <p>A única referência feita ao grupo aparece no diagnóstico do documento sobre o SUS. Segundo o texto, a má qualidade e a morosidade no atendimento de saúde são problemas apontados pela população, sobretudo pelas mulheres, que são as que mais observam essa lacuna. </p> <p>“Se você quer falar de um partido generificado [ou seja, moldado por expectativas de gênero, no caso, o masculino], vamos falar do Missão”, disse Gomes. A legenda foi fundada por Santos e por membros do MBL (Movimento Brasil Livre) – apenas 8% dos filiados ao partido são mulheres, uma porcentagem muito menor do que a registrada em outros partidos. No PT, PL, MDB e PSD, por exemplo, a porcentagem de filiadas ultrapassa os 40%. </p> <p>“Faz completo sentido que eles não mencionem mulheres. Porque mulher, para eles, não é algo relevante. Eles têm ainda a ideia de que políticas específicas para certos grupos criam divisão”</p> <p>Larissa Peixoto Vale Gomes</p> <p>doutora em ciência política e pesquisadora na Universidade de Edimburgo (Escócia), em entrevista ao Nexo</p> Romeu Zema: violência e saúde materna <p>O plano de governo de Romeu Zema (Novo) propõe medidas relacionadas ao enfrentamento da violência doméstica, à saúde materna e ao apoio ao trabalho de cuidado. </p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/09/RomeuZema-abr-600x359.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Romeu Zema (Novo) fala com jornalistas </media:title> <media:credit> Marcello Casal Jr / Agência Brasil </media:credit> </media:content> <p>As cinco principais propostas do candidato são: </p> ampliar redes de delegacia da mulher, com funcionamento 24 horas, com equipes femininas capacitadas em violência de gênero expandir a Patrulha Maria da Penha (serviço de policiamento voltado para proteção e acompanhamento de mulheres m situação de violência doméstica e familiar e com medica protetiva vigente) expandir casas de abrigo para mulheres vítimas de violência expandir creches e pré-escolas para famílias vulneráveis, priorizando parcerias da rede pública com o setor privado e entidades comunitárias assegurar acompanhamento pré-natal universal <p>“O ponto positivo do plano são os instrumentos e serviços para o combate ao feminicídio. Mas ele é menos abrangente ao falar das mulheres em outras dimensões, como o trabalho, a autonomia econômica e a igualdade salarial. E não há nenhuma atenção específica para mulheres em espaços de poder”, afirmou Althaller. </p> <p>Em junho, Zema disse em evento na CNI (Confederação Nacional da Indústria), em Brasília, que, se eleito, iria exigir a conclusão dos estudos de homens beneficiários do Bolsa Família, mas que não exigiria o mesmo das mulheres porque elas “têm outras atribuições e casa, têm filhos”. </p>
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| Candidato | Sentimento |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro | neutro |
| Lula | neutro |