ANÁLISE DE COBERTURA

O que esperar da campanha eleitoral à Presidência em 2026

nexo · 15/08/2026 ·analise

<p>Candidatos podem pedir votos, fazer propaganda na rua e na internet e realizar comícios. Tribunal Superior Eleitoral tem regras atualizadas sobre assédio eleitoral e uso de inteligência artificial</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/08/pardal_denuncias_eleitorais.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Aplicativo Pardal Móvel, do TSE </media:title> <media:credit> Joédson Alves/Agência Brasil 14.08.2024 </media:credit> </media:content> <p>Começa oficialmente neste domingo (16) a campanha para as eleições de 2026. Os principais candidatos na disputa pela Presidência são Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição para seu quarto mandato, e Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.</p> <p>Com o início da campanha, os candidatos podem pedir votos, fazer propaganda na rua e na internet e realizar comícios. Além da Presidência, estão em disputa os cargos de governador, senador, deputado federal e estadual. A eleição ocorre no dia 4 de outubro. </p> <p>Neste texto, o Nexo mostra as principais datas do calendário eleitoral, explica as regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para o pleito e analisa o que está em jogo na campanha.</p> O calendário eleitoral <p>A partir deste domingo (16), é permitido fazer propaganda eleitoral. A data marca o início oficial das campanhas após o final do prazo para registro das candidaturas, que terminou no sábado (15). </p> <p>20 de agosto</p> <p>é o prazo final para que eleitoras e eleitores que estiverem fora do domicílio eleitoral solicitem habilitação para votar em trânsito </p> <p>As regras da campanha estão estabelecidas em resolução do TSE. Está permitido: </p> a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet a realização de comícios a entrega de material de campanha em espaços públicos abertos — como vias públicas, parques, praças, feiras livres e logradouros público — desde que não comprometa a livre circulação de pessoas a utilização de aparelhagem de som e de alto-falantes e amplificadores de som entre 8h e 22h, com distância mínima de 200m das sedes dos Poderes, de tribunais, quartéis, hospitais, bibliotecas públicas, igrejas e teatros a divulgação paga, na imprensa escrita, e a reprodução na internet de jornal impresso de até 10 anúncios de propaganda eleitoral, por veículo, em datas diversas, para cada candidato ou candidata <p>No dia 28 de agosto, começa o horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, que será exibido até o dia 1° de outubro. </p> <p>O primeiro turno da eleição será no dia 4 de outubro. Eleitores e eleitoras vão escolher presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e estadual. </p> <p>Um eventual segundo turno ocorrerá no dia 25 de outubro. Neste caso, a propaganda eleitoral gratuita deve ser retomada no dia 9 e seguir até o dia 23. </p> As atualizações do TSE <p>Em março, o TSE atualizou uma resolução que orienta sobre o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral de candidatos em 2026. Todo conteúdo gerado ou alterado por IA deve informar o uso da tecnologia aos eleitores de maneira explícita, destacada e acessível, segundo o texto. </p> <p>As primeiras regras sobre IA foram estabelecidas pela corte eleitoral em 2024, ano de eleições municipais. Agora, atualizada, a resolução diz que: </p> é proibido veicular conteúdos de inteligência artificial nas 72 horas anteriores à votação e 24 horas após o pleito as plataformas serão responsabilizadas civil e judicialmente se não retirarem conteúdos de IA sem rotulagem apropriada chatbots como ChatGPT e Claude estão proibidos de fazer recomendações de candidatos, independentemente de eventuais pedidos dos usuários <p>As discussões sobre o uso da IA têm aparecido desde a pré-campanha, quando a convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato, em julho, exibiu um vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA. Na imagem simulada, o ex-presidente pedia que o primogênito, escolhido por ele para substituí-lo na eleição, fosse acolhido “de braços abertos”. </p> <p>Além das regras sobre IA, o TSE alterou normas que dizem respeito às redes sociais de forma geral. Por exemplo: </p> as redes sociais e plataformas são obrigadas a banir perfis falsos, apócrifos ou automatizados em caso de prática reiterada de condutas de crime eleitoral e publicação de fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que possam atingir a integridade do processo eleitoral os provedores devem remover conteúdos impulsionados que contenham violência política contra a mulher, informações falsas sobre as urnas eletrônicas ou incitação a crimes contra a democracia <p>Outra reformulação do TSE diz respeito à propaganda eleitoral no ambiente de trabalho. A prática está vedada dentro de empresas, sejam públicas ou privadas. Quem praticar assédio eleitoral ou permitir que ele ocorra nesses contextos pode responder judicialmente. </p> <p>O tribunal instituiu ainda o programa Seu Voto Importa, que vai oferecer transporte individual e gratuito aos eleitores e eleitoras com deficiência ou mobilidade reduzida no dia da votação, e reformulou o aplicativo Pardal para o cidadão denunciar à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público infrações eleitorais e irregularidades em campanhas, fortalecendo a participação popular.</p> A imagem dos candidatos <p>Lula e Flávio Bolsonaro são os dois principais nomes na disputa à Presidência da República, marcada pela rejeição a ambos. </p> <p>Pesquisa Quaest divulgada no dia 5 de agosto mostra que 52% dos eleitores rejeitam o petista, enquanto 54% não votariam no senador. </p> <p>39% x 30%</p> <p>são as intenções de voto em Lula e Flávio no primeiro turno, respectivamente, segundo a Quaest </p> <p>44% x 39% </p> <p>são as intenções de voto em Lula e Flávio no segundo turno, respectivamente, de acordo com o mesmo levantamento, registrado no TSE sob o número BR06591/2026</p> <p>Lula chega à disputa pelo quarto mandato com melhora nas pesquisas de intenção de voto e na avaliação do governo, além da máquina pública em mãos. Ao mesmo tempo, ele lida com a desvantagem do incumbente, que carrega o ônus da insatisfação popular. </p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/08/55309806701_d3bb77e6f6_o-600x450.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante evento em Goiânia </media:title> <media:credit> Ricardo Stuckert / PR 02.06.2026 </media:credit> </media:content> <p>Embora o governo tenha entregas para apresentar — como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, o programa Desenrola, e engajamento com pautas populares, como o fim da escala 6×1 — pesa sobre o presidente a preocupação das pessoas com os altos índices de violência e o aumento do custo de vida. </p> <p>“Lula terá um desafio de ser mais radical e moderno na sua imagem, diferente de 2022, que foi ‘paz e amor’”, disse ao Nexo Giuliano Salvarani, professor de comunicação, marketing e política da ESPM (Escola Superior de Propaganda em Marketing). </p> <p>Na oficialização de sua candidatura, em evento do PT no dia 2 de agosto, o presidente sinalizou que, se reeleito, será o “Lulinha porreta”, prometendo “briga com emenda parlamentar” em razão do avanço do domínio do Congresso sobre o Orçamento.</p> <p>“Com o isolamento de Bolsonaro na extrema direita e a fragmentação da direita em pequenas candidaturas, tem se formado um campo que permite a Lula ampliar suas propostas de reforma política que tenham como destino a vida concreta das pessoas, em vez de defender a ordem e a institucionalidade”</p> <p>Giuliano Salvarani</p> <p>professor de comunicação, marketing e política da ESPM, em entrevista ao Nexo </p> <p>Já Flávio chega à campanha após meses de reveses desde as revelações pelo site The Intercept Brasil, em maio, de mensagens que mostram o senador pedindo quantias vultosas de dinheiro a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar “Dark Horse”, cinebiografia sobre o pai. </p> <p>R$ 61 milhões</p> <p>foi a quantia repassada por Vorcaro para bancar o filme</p> <p>Houve ainda:</p> uma briga pública exposta pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a divulgação de novas suspeitas envolvendo a emissão de notas fiscais do escritório de advocacia do senador em favor da Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., apontada como empresa de fachada de Vorcaro a debandada do centrão da campanha, com partidos como o Republicanos e o PP declarando neutralidade no primeiro turno <p>Na quinta-feira (13), faltando dois dias para o fim do prazo para o registro de candidaturas, a campanha de Flávio foi pega de surpresa ao ver que o candidato não estava filiado ao PL, mas ao partido Missão, de Renan Santos — o que impossibilitaria a inscrição no sistema do TSE. Segundo o tribunal, alguém com acesso às credenciais do partido do MBL (Movimento Brasil Livre), fundado em 2025, fez a filiação do senador. </p> <p>O Missão negou fa raude e disse ter avisado à campanha de Flávio dias antes de o caso vir a público. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar o caso, e determinou o restabelecimento da filiação do candidato ao PL e a liberação do registro de candidatura. </p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/05/Flavio-Bolsonaro-600x400.jpg" type="image/jpeg" medium="image"> <media:title> Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante sessão conjunta do Congresso Nacional </media:title> <media:credit> Andressa Anholete / Agência Senado 21.05.2026 </media:credit> </media:content> <p>Para Salvarani, “a campanha de Flávio Bolsonaro herda o recall positivo e negativo de Jair Bolsonaro. Flávio não conseguiu unificar diferentes setores da direita e, agora, terá que se defender dos ataques de antigos aliados do seu pai, que procuram se afastar a cada dia que passa de sua candidatura. Restou apostar num ‘bolsonarismo light’”. </p> <p>A escolha do vice de Flávio — o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPI Mista do INSS, que apurou o esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões concedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social — sinaliza que a campanha vai explorar os desvios e investir em acusações a Lula. Lulinha, filho do presidente, é suspeito de envolvimento no caso.</p> <p>“A campanha de Flávio vai ter um tom de recuperar o Brasil das mãos da esquerda, que é o PT e o Lula. Em termos de projeto, as propostas devem surgir em chaves mais simplistas e ligadas à segurança pública”, afirmou ao Nexo a cientista política Tathiana Chicarino, coordenadora do curso de sociologia e política da FESPSP (Escola de Sociologia e Política de São Paulo).</p> A questão da soberania <p>Na quinta-feira (13), Lula gravou os primeiros vídeos da campanha eleitoral, pedindo voto a governadores e senadores petistas. Segundo o site G1, o senador Humberto Costa (PT), que participou das gravações, disse que o material tem o objetivo de eleger uma “bancada lulista” na Casa Alta e frear os planos da extrema direita de conseguir maioria. </p> <p>O tema democracia estará presente de novo na campanha eleitoral do PT, mas de forma diferente da explorada em 2022, quando o partido articulou a concertação de uma frente ampla para enfrentar Jair Bolsonaro nas urnas.</p> <p>Agora, a discussão estará atrelada à soberania nacional — em contraponto às articulações do bolsonarismo, que desencadearam o tarifaço e uma crise diplomática considerada sem precedentes entre o Brasil e os EUA nos últimos meses —, segundo Chicarino.</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/08/img_8820-600x450.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em manifestação na avenida Paulista </media:title> <media:credit> Cadu Pinotti / Agência Brasil 03.08.2025 </media:credit> </media:content> <p>“Isso já ocorreu na pré-campanha, de mobilizar o nós contra eles [EUA]. De dizer que uma família autoritária [Bolsonaro] vai aos Estados Unidos e tenta fazer com que a nossa soberania esteja subordinada ao interesse imperialista. Esses elementos estarão presentes”, afirmou. </p> <p>Para Salvarani, um foco excessivo no tema pode não ser acertado, já que — apesar de serem fundamentais —, os temas de defesa da democracia e da soberania nacional são de difícil compreensão para boa parte da sociedade. De qualquer forma, tanto o campo político do PT quanto o do PL vão mobilizá-los de formas distintas. </p> <p>“Por um lado, o PT pode utilizar da retórica de defesa da soberania nacional. Já o PL pode entrar na disputa sobre a rejeição de Lula diante de uma potência como os EUA. Essa polêmica tende a beneficiar quem une a população diante de um inimigo comum em vez de fragmentar a população a partir de interesses econômicos externos”, afirmou o professor. </p>

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