O que a indefinição em Minas significa para a eleição local e nacional
<p>PT lança Patrus Ananias ao governo do estado após declinar de alianças com outros partidos. PL não tem nome definido. Senador líder nas pesquisas não confirmou se vai concorrer ao Executivo</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/07/img20260715153205719MED.jpg" type="image/jpeg" medium="image"> <media:title> O deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) em sessão na Câmara dos Deputados </media:title> <media:credit> Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados 15.07.2026 </media:credit> </media:content> <p>O PT lançou o deputado federal Patrus Ananias como pré-candidato ao governo de Minas Gerais, em chapa de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-prefeito de Belo Horizonte fez o anúncio em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (20). </p> <p>A definição pelo nome de Ananias — petista histórico com origem nos grupos católicos que ajudaram a fundar o partido — resolve o que era considerado um problema na pré-campanha de Lula, que até então não tinha um palanque no estado. Na oposição, a indefinição segue. </p> <p>Neste texto, o Nexo explica como estão as alianças em Minas Gerais e por que o estado é crucial na eleição presidencial. </p> O cenário pós-Zema <p>Minas Gerais foi governado por Romeu Zema (Novo) de janeiro de 2019 a março de 2026. Pré-candidato à Presidência, o empresário foi eleito na esteira da antipolítica que marcou o pleito de 2018, sob o argumento de que sua experiência profissional faria diferença na gestão do estado. Foi reeleito em 2022 no primeiro turno, com 51,18% dos votos. </p> <p>Os dois mandatos de Zema foram marcados por privatizações. Embora o governo seja aprovado por 52% dos eleitores, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril, há um desgaste após dois mandatos.</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2023/12/27202450/Romeu20Zema_binary_173550-600x391.jpg" type="image/jpeg" medium="image"> <media:title> O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo </media:title> <media:credit> Renato Cobucci / Imprensa MG </media:credit> </media:content> <p>“A maioria dos eleitores mineiros quer uma mudança de rumos”, disse ao Nexo Lucas Gelape, professor de ciência política e pesquisador do Centro de Estudos Legislativos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Isso traz dificuldades para o atual governador, Matheus Simões (PSD), que assumiu o cargo em março após a renúncia de Zema para se dedicar à pré-campanha ao Planalto. </p> <p>4%</p> <p>são as intenções de voto em Matheus Simões para o governo de Minas Gerais, segundo pesquisa Quaest divulgada em 28 abril de 2026</p> <p>Além disso, o governo Zema não tem marcas claras, segundo Gelape. Há projetos bem-sucedidos — como o Trilhas do Futuro, com oferta de cursos técnicos para estudantes e egressos do ensino médio —, mas os mineiros não acreditam que o ex-governador tenha feito grandes entregas, de acordo com o cientista político. </p> <p>Pesa ainda a crise fiscal de Minas Gerais, que deve se agravar no próximo governo, após embates entre o Executivo federal e o estadual no Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) em 2025. </p> <p>O Propag criou uma alternativa para o pagamento de dívidas dos estados com a União por meio de transferência de bens móveis ou imóveis, participações societárias, créditos com o setor privado e outros ativos, além de descontos nos juros e parcelamento em até 30 anos. </p> <p>“O novo eventual governador vai se ver com um cenário bem diferente do que Zema viveu. Também há desafios como servidores pressionando pelo aumento de salários”, afirmou Gelape. </p> A escolha do PT <p>Antes de a pré-candidatura de Patrus Ananias ser fechada, o PT passou por uma série de negociações de alianças que não foram adiante. Inicialmente, Lula queria que o senador Rodrigo Pacheco (PSD) fosse o candidato de uma chapa de apoio a ele em Minas, mas o ex-presidente do Congresso desistiu de concorrer. </p> <p>O PT também considerou se aliar ao vereador Gabriel Azevedo (MDB), que presidiu a Câmara Municipal de Belo Horizonte, e a Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito da capital conhecido pelo enfrentamento exemplar da pandemia de covid-19. Mais tarde, no entanto, legenda declinou, resolvendo testar quatro nomes para candidatura própria até chegar a Ananias. </p> <p>14%</p> <p>são as intenções de voto em Alexandre Kalil para o governo de Minas Gerais, segundo pesquisa Quaest divulgada em 28 abril de 2026</p> <p>2%</p> <p>são as intenções de voto em Gabriel Azevedo para o governo de Minas Gerais, segundo pesquisa Quaest divulgada em 28 abril de 2026</p> <p>Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, um levantamento interno encomendado pelo PT mostra que Ananias — que foi prefeito de Belo Horizonte de 1993 a 1997 — tem o mesmo desempenho em intenções de voto que nomes como Marília Campos, ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado líder nas pesquisas. </p> <p>Isso teria convencido o deputado a tentar o Executivo mineiro. “Patrus é um quadro histórico do PT de Minas Gerais e tem muito recall. Ele pode, de fato, colocar o PT num patamar competitivo diante dessas outras candidaturas, como as de Gabriel e de Kalil. Ainda há muito para acontecer, mas é um nome mais forte”, disse Gelape. </p> A indefinição do PL <p>O PL segue sem saber quem será o nome a participar do palanque de Flávio Bolsonaro em Minas na campanha de 2026. </p> <p>A tarefa deve ser desafiadora. O pré-candidato à Presidência vem enfrentando queda nas pesquisas de intenção de voto após escândalos como a revelação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro e a exposição pública de uma briga familiar com Michelle Bolsonaro. </p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/07/55393044972_ef81b84a6d_o-600x400.jpg" type="image/jpeg" medium="image"> <media:title> O senador Cleitinho (Republicanos-MG) em sessão no Senado </media:title> <media:credit> Ton Molina / Agência Senado 14.07.2026 </media:credit> </media:content> <p>O nome mais competitivo que o PL cogita apoiar é o do senador Cleitinho (Republicanos), líder nas pesquisas de intenção de voto em Minas. O parlamentar, no entanto, ainda não decidiu se vai concorrer na disputa pelo Palácio Tiradentes. O partido deve realizar sua convenção estadual na segunda-feira (27) sem cravar uma escolha. </p> <p>30%</p> <p>são as intenções de voto em Cleitinho para o governo de Minas Gerais, segundo pesquisa Quaest divulgada em 28 abril de 2026</p> <p>Também há a possibilidade de o PL lançar um candidato próprio, Flávio Roscoe, filiado ao partido desde abril. Ex-presidente da Fiemig (Federação das Indústrias de Minas Gerais), ele deixou o cargo e se colocou à disposição da legenda para a disputa eleitoral em Minas, dizendo que tem competência para comandar o Executivo pelo seu “perfil de gestor”. </p> <p>O PL tem ainda a opção de lançar Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim. O diretório estadual está dividido entre ele e Roscoe. </p> <p>2%</p> <p>são as intenções de voto em Flávio Roscoe para o governo de Minas Gerais, segundo pesquisa Quaest divulgada em 28 abril de 2026</p> <p>“O grande problema no campo da direita com essa indefinição é estruturar uma campanha eleitoral. Não é fácil colocar uma máquina de campanha para governador num estado grande e diverso como Minas Gerais de última hora”, disse Gelape. </p> Por que Minas é um estado chave <p>Por vezes denominado um “mini-Brasil”, Minas Gerais faz fronteira com seis outros estados, tem 12 mesorregiões e diversas atividades econômicas. </p> <p>Municípios do norte, por exemplo, são abarcados pela atuação da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), por causa das semelhanças climáticas e sociais com a região vizinha, enquanto cidades do sul mineiro se assemelham mais com São Paulo. </p> <p>Para a ciência política, essa diversidade explica a correspondência constante entre os resultados mineiros e os nacionais na eleição presidencial. Em geral, sempre que um candidato vence em Minas, ele vence no Brasil. A última vez que isso não aconteceu foi em 1950, quando Getúlio Vargas foi eleito. </p> <p>“Se um candidato a presidente tem apelo em Minas Gerais, provavelmente tem apelo em boa parte do Brasil”</p> <p>Lucas Gelape</p> <p>professor de ciência política e pesquisador do Centro de Estudos Legislativos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em entrevista ao Nexo</p> <p>Minas Gerais também é importante por ter um grande colégio eleitoral. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), são mais de 16 milhões de pessoas aptas a votar, o que confere um peso significativo para a escolha da Presidência da República. </p> <p>10,32%</p> <p>do eleitorado do Brasil está em Minas Gerais, segundo dados do TSE divulgados na segunda-feira (20)</p> <p>Lula ganhou em Minas nas eleições em que saiu vitorioso. Em 2022, teve 50,2% dos votos, contra 49,8% de Jair Bolsonaro. O resultado no estado foi crucial no pleito mais disputado desde a redemocratização. </p> <p>Por vários anos, Minas teve um sistema partidário que, em alguma medida, refletiu o sistema partidário nacional, com polarização entre PT e PSDB, segundo Gelape. Mas o PT não capitaneou isso na disputa estadual, dando preferência a alianças com outras legendas, como o MDB. </p> <p>“O ex-governador [e atual deputado federal] Aécio Neves foi eleito, reeleito e fez sucessor. O PSDB tinha muita força no estado. Isso trazia dificuldades para o PT”, afirmou o cientista político. </p> <p>A única vez que o PT governou Minas foi com Fernando Pimentel, eleito em 2014 após uma campanha eleitoral considerada bem estruturada — por costurar alianças em todo o estado —, mas feita num momento histórico pouco propício ao partido, por conta da Operação Lava Jato e da queda de popularidade da então presidente Dilma Rousseff. </p> <p>“Pimentel fez um governo bastante mal avaliado. Zema e seu agora sucessor têm como mote, até hoje, ser contra o que o PT fez no estado. O eleitor, de fato, tem uma memória ruim sobre o governo Pimentel, e hoje o PT vive essas consequências”, disse Gelape. </p>
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| Candidato | Sentimento |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro | negativo |
| Lula | neutro |