ANÁLISE DE COBERTURA

Por que o Brasil vai se juntar aos países que proíbem o foie gras

nexo · 21/07/2026 ·analise

<p>Projeto que veta a produção e a venda da iguaria francesa aguarda sanção de Lula. Entidades definem a prática como crueldade animal. Para produtores, texto viola acordo de livre comércio</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/07/pexels-didsss-28505047.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Para o foie gras, patos e gansos passam por gavagem </media:title> <media:credit> Pexels </media:credit> </media:content> <p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem até o dia 27 de julho para sancionar a proposta que proíbe a produção e a comercialização de foie gras e outros produtos obtidos via alimentação forçada de animais. </p> <p>Se a lei for aprovada, o Brasil se juntará a outros 20 países que proíbem a produção da carne de origem francesa. A Índia foi a primeira a restringir o prato, vetando também a importação do produto. </p> <p>Neste texto, o Nexo explica o tamanho do mercado de foie gras, o movimento de proibição do mundo e as reações ao projeto brasileiro.</p> O mercado de foie gras <p>O foie gras é um prato francês feito com o fígado inchado de patos ou gansos. A textura e sabor são atingidos pela gavagem, processo mecânico de engorda em que a ave recebe alimentação de alto teor energético forçadamente, por meio de um tubo.</p> <p>Na França, o foie gras é um prato comum e barato, consumido como entrada e pratos principais. Além da peça inteira, comercializam-se subprodutos como a farinha, usada em outros preparos e até na alimentação animal. </p> <p>No Brasil e em outros países, a circulação é menor, devido ao alto preço do produto. A demanda é impulsionada por restaurantes de luxo e pelo turismo. </p> <p>R$ 1.700</p> <p>é quanto pode custar uma peça inteira de foie gras no Brasil</p> <p>R$ 6 milhões</p> <p>é quanto o mercado brasileiro movimenta em importações do alimento</p> <p>A revisão de regras sobre proteção e bem-estar animal tem limitado em cerca de 40% a expansão potencial do mercado de foie gras anualmente, segundo estimativas da empresa de consultoria Business Research Insights. Para movimentos de defesa animal, a prática promove sofrimento animal e deve ser banida.</p> O movimento de proibição no mundo <p>Em 2014, a Índia se tornou o primeiro país no mundo a restringir o foie gras, proibindo a produção, venda e importação da carne. Antes, em 2004, a restrição ao prato foi tema de debates em Israel — na época, um dos maiores produtores da carne depois da França — e na Turquia. </p> <p>De lá para cá, dezenas de países (majoritariamente europeus) criaram políticas restritivas ao prato. Boa parte proíbe apenas a produção, permitindo a importação.</p> <p>20</p> <p>países proibiram a produção de foie gras, segundo a organização Pro Animal Future</p> <p>Levantamento da organização Pro Animal Future, feito em abril, mostrou que os países africanos e asiáticos são os mais resistentes a leis restritivas ao foie gras. A China, por exemplo, é responsável por 30% da produção mundial da carne. Embora o país proíba a importação do produto, a demanda interna segue crescente.</p> <p>Nos Estados Unidos, há regras locais restringindo o prato. É o caso de Brookline (Massachusetts) e Pittsburgh (Pensilvânia), além de uma lei estadual da Califórnia — aprovada em 2004 e implementada em 2012. Chicago e Nova York também tentaram proibir o prato, mas pressões da indústria levaram à anulação das leis.</p> <media:content url="https://nexo-uploads-beta.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/images/2026/07/pexels-minchephoto-6880221.webp" type="image/webp" medium="image"> <media:title> Foie gras, prato comum na França e de alto custo no Brasil </media:title> <media:credit> Pexels </media:credit> </media:content> <p>Na América do Sul, a Argentina é pioneira em proibir a produção de foie gras, mas permite venda e importação. </p> <p>Já no Brasil, a restrição esteve na mira da Câmara Municipal de São Paulo em 2015, quando os vereadores aprovaram a proibição para venda e produção da iguaria. Mais tarde, o Tribunal de Justiça entendeu que um município não pode legislar sobre o comércio de um produto específico e derrubou a lei.</p> O projeto brasileiro e as reações <p>O projeto que aguarda o aval de Lula até 27 de julho foi proposto em 2020 no Senado Federal por Eduardo Girão (Novo-CE). O texto prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem produzir e comercializar a carne — prática equiparada ao maltrato de animais, com base na Lei de Crimes Ambientais.</p> <p>“A técnica de alimentação forçada aumenta a taxa de mortalidade dos animais, podendo ser 25 vezes superior quando comparada a outros sistemas”, disse o deputado Fred Costa (PRD-MG), relator da proposta na Câmara, durante fala na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em abril.</p> <p></p> Assine nossa newsletter diária <p>Gratuita, com os fatos mais importantes do dia para você</p> bi <p></p> <p>Para acelerar a tramitação do projeto, entidades de proteção animal vão à Brasília nos próximos dias para pressionar o Planalto pela aprovação do texto. Segundo a organização Animal Equality — que entregou aos parlamentares, durante a tramitação do projeto, um relatório sobre os malefícios da alimentação forçada de animais —, a prática é uma das mais cruéis da agropecuária e incompatível com a Constituição de 1988, que veda a crueldade animal.</p> <p>Defensores do bem-estar animal argumentam que a alimentação forçada das aves com alimentos ricos em carboidratos influencia no rápido ganho de peso do animal, o que impacta a envergadura óssea e gera desconforto. Devido ao quadro, alguns animais morrem antes do abate. </p> <p>Até 10 vezes</p> <p>é quanto o fígado de patos e gansos pode inflar durante a produção do foie gras, segundo relatório da organização Animal Equality</p> <p>Na via contrária, produtores pressionam o governo pelo veto integral do projeto. Em comunicado publicado em maio, o Cifog (Comitê Interprofissional de Patos e Gansos para Foie Gras) afirmou que a carne é um dos principais produtos exportados pela França e que o projeto de lei brasileiro contraria compromissos pactuados no acordo entre Mercosul e União Europeia.</p> <p>O setor defende ainda uma intervenção diplomática para conter impactos econômicos de uma possível suspensão da comercialização do foie gras. </p> <p>“O mercado [de foie gras no Brasil] é composto principalmente por donos de restaurantes e importadores de alimentos gourmet localizados nas principais cidades brasileiras. Esses fluxos representam um montante significativo, em torno de um milhão de euros”, disse Marie-Pierre Pé, diretora do comitê ao site francês Radio France.</p>

Ler matéria completa em nexo →

O que o painel registra

Alinhamento editorial do veículo
centro
centro
Cluster Zeitgeist
bio
Tópicos identificados
  • bem-estar animal
  • comércio exterior
  • legislação
Sentimento por candidato
CandidatoSentimento
Lula neutro