ANÁLISE DE COBERTURA

Governo Lula vê "tiro no pé" de Flávio Bolsonaro após decisão dos EUA

a-tarde · 31/05/2026 ·noticia

Uma ala de ministros do presidente Lula (PT) avaliou que a decisão dos Estados Unidos em classificar o PCC e o CV como grupos terroristas será um "tiro no pé" do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).A designação foi anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na última quinta-feira, 28, após o auxiliar de Donald Trump receber Flávio na Casa Branca. A decisão levou o liberal e aliados a comemorar a medida como uma vitória política do senador, que defendeu a atitude tomada pelo governo dos EUA. Leia Também: MENÇÃO Trump elogiou Lula em encontro com Flávio Bolsonaro: “Dinâmico” POLÊMICA Filme de Bolsonaro pode ser proibido nos cinemas? Entenda batalha judicial POLÍTICA Flávio Bolsonaro pede para Trump classificar facções como terroristas No entanto, ministros e aliados do presidente avaliaram, conforme o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, que a classificação terá um efeito político ao que deseja Flávio, especialmente quando a população entender que a decisão tem potencial de trazer riscos à soberania do Brasil, abrindo margem para uma eventual "intervenção" no país."Da última vez que eles conseguiram algo do governo americano, trouxeram dor e sofrimento para famílias que perderam emprego e renda. Isso não tem esse efeito [positivo], basta acompanhar as pesquisas. Será um tiro no pé", afirmou um ministro ao colunista, sob reserva.Efeitos e desdobramentosAdemais, integrantes do governo Lula afirmam que, antes de uma reação oficial, é preciso entender os efeitos e desdobramentos da medida anunciada pelo secretário de Estado da gestão Trump.“O governo brasileiro sempre se colocou à disposição para cooperar com o governo norte-americano no combate ao crime organizado. Essa designação só revela mesmo o desespero eleitoral do clã Bolsonaro”, completou outro titular de pasta do governo Lula.Nova classificação de PCC e CV pelos EUA acende alerta no Brasil. E agora?Durante décadas, o crime organizado brasileiro foi tratado, dentro e fora do país, como aquilo que sempre pareceu ser: um gigantesco negócio clandestino. Brutal, armado, transnacional, sanguinário, milionário, mas ainda um negócio. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) matam por território, por rota, por dívida, por mercado. Não por religião. Não por ideologia. Não por revolução.Agora, os Estados Unidos decidiram mudar o vocabulário.E, quando Washington muda o vocabulário, geralmente não muda só a gramática.O anúncio feito pelo Departamento de Estado dos EUA de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passarão a ser classificados como Organizações Terroristas Estrangeiras inaugura uma nova etapa na relação entre segurança pública, política internacional e soberania brasileira. Oficialmente, trata-se de combate ao crime organizado transnacional. Na prática, porém, o gesto abre uma caixa-preta diplomática que Brasília vinha tentando manter fechada.

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