OEA afirma que desinformação e interferência externa mexeram com eleições brasileiras
Um dos grupos chamados para a observação das eleições brasileiras no primeiro turno nesse domingo (4), a Organização dos Estados Americanos destacou a desinformação e as menções a possíveis interferências externas como alguns dos principais elementos da disputa eleitoral. Segundo a OEA, além disso, o ativismo chegou a levar o que chamou de 'extremo' ao 'incluir insultos contra uma das candidaturas'. Não é citado qual dos candidatos. A organização defendeu um respeito pelos adversários, pela soberania nacional e pela constituição. 'Assim como já foi observado pelas MOEs da OEA em outras ocasiões, verifica-se uma tendência cada vez mais frequente de chefes de Estado fazerem declarações públicas sobre processos eleitorais em andamento em outros países do continente', diz o relatório. 'A MOE/OEA observou que as eleições no Brasil não ficaram isentas desse ativismo político internacional e, inclusive, que, neste caso específico, esse ativismo chegou ao extremo de se proferirem insultos contra uma das candidaturas'. A missão destaca, no entanto, o comentário do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, de que 'não foram constatados fatos que indicassem interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro'. A desinformação foi outro ponto importante para o grupo, destacando que as semanas anteriores ao processo eleitoral ficaram 'marcadas pela disseminação em massa de informações falsas'. A OEA chamou como preocupante a circulação e ataques ao sistema eleitoral. 'Em relação aos conteúdos da campanha, mais uma vez as semanas que antecederam a eleição foram marcadas pela disseminação em massa de informações falsas', declaram. Falta de apoio de Trump nas eleições brasileiras foi 'estratégia' para favorecer Flávio Bolsonaro, diz jornal Senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Reprodução Segundo reportagem do jornal Washington Post, o silêncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi uma estratégia eleitoral para evitar prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro, do PL. Segundo um assessor da Casa Branca, foi percebido que as falas de Trump sobre o Brasil causaram impacto na candidatura do filho do ex-presidente Bolsonaro. O veículo destaca, citando o assessor, que o pensamento foi 'ficar quieto'. 'Se um apoio for contraproducente, não o deem'. A expectativa é que a estratégia continue, especialmente para esvaziar o argumento do presidente e candidato à reeleição Lula de que os EUA estariam interferindo. O assessor diz que o governo não fará nada para mudar durante o segundo turno. 'Deixem a corrida continuar. Queremos minimizar qualquer aparência ou fundamento para o argumento de que os EUA estão interferindo', diz ele. Bolsonaro 'não precisa da nossa ajuda', disse o assessor. Ele completa que 'tentar ajudar proativamente só beneficia Lula'. Parte dessa visão surgiu especialmente após o tarifaço de 50% contra o Brasil, que fez a popularidade de Lula crescer naquele período e da avaliação mais positiva do governo. Uma pesquisa na época mostrou que 46% dos brasileiros responsabilizavam os Bolsonaro. A estratégia de se manter calado foi algo incomum, mas pensada por altos funcionários 'Conseguíamos ver isso nos dados. Sempre que Lula usava Trump para dizer: ‘Os EUA estão tentando abusar de nós e tirar vantagem de nós’, isso repercutia positivamente no público. Mas toda vez que ele dava um passo atrás e deixava a campanha se concentrar no Brasil e em questões internas brasileiras', completa o assessor. Presidentes Lula e Donald Trump em reunião na Malásia Ricardo Stuckert / PR
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| Candidato | Sentimento |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro | neutro |
| Lula | neutro |